existe uma expressão popular que é “o coco do cavalo do bandido”. não sei ao certo qual a história por trás desta expressão, mas ela é geralmente usada para descrever alguém insignificante, sem valor, irrelevante, ou que quer parecer importante quando, na verdade, está muito distante disso.
é uma grande hipérbole que visa dizer o seguinte: você não é nada importante. porque veja bem:
- ser o bandido não é nada interessante. o bandido é visto como escória da sociedade, marginal, inferior, pessoa ruim. não é legal ser bandido;
- ser o cavalo do bandido, então, acaba sendo bem pior. isso porque o cavalo, só por ser um animal, já é inferior ao ser humano. isso quer dizer que o pior ser humano existente ainda é mais importante do que um cavalo, essa é a ordem de Deus. além disso, o cavalo está sujeito ao bandido e ele não pode fugir, é um escravo do bandido e, consequentemente, participa também de suas bandidagens;
- ser o coco do cavalo do bandido acaba sendo pior ainda nesta hierarquia. porque o bandido já é irrelevante, seu cavalo acaba sendo pior, agora ser o coco do cavalo, que é menor e está sujeito ao bandido, o qual é a escória e marginal da sociedade, é ser alguém muito insignificante.
ou seja, a expressão, que é cômica e uma hipérbole, busca descrever, de fato, alguém muito insignificante. chega, talvez, a ser cruel descrever alguém assim.
e como se essa crueldade não fosse o bastante, como se ser o coco do cavalo do bandido não fosse algo ruim, colocaram alguém ainda menor nessa hierarquia: a mosca.
- ser a mosca, um bicho asqueroso e nojento que pousa em fezes alheias (e depois em nossas comidas), já é ruim; agora ser a mosca do coco (bem ruim), do cavalo (bem, bem ruim), do bandido (bem, bem, bem ruim). em conclusão: ser a mosca do coco, do cavalo do bandido é ser alguém muito, mas muito insignificante na sociedade. seria melhor não ter nascido, de verdade.
e por que eu estou fazendo essa reflexão?
pois bem, estava há pouco orando o Salmo 40 — de Davi — e logo no início ele diz:
ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
e quando li essa parte, comecei a pensar o quão pequeno eu sou para que Deus, criador dos Céus e da Terra, se incline e escute minhas baboseiras. por que um Deus tão grande se importaria com um ser tão pequeno? como Ele se importa com um cara como eu, que, comparado ao Criador, sou como a mosca do coco, do cavalo do bandido?
é difícil compreender, tanto que essa dúvida não é só minha. já dizia o salmista:
Que é o homem, para que te lembres dele, e o filho do homem, para que o visites?
Salmo 8:4
somos tão pequenos, mas ainda assim, Deus se importa conosco. Ele nos ama, tanto que entregou seu Filho. Ele se importa até com as coisas que achamos “bobas demais” para Ele. não importa, Ele sempre quer nos ouvir.
isso não faz sentido, mas é graça.
louvado seja o teu nome, Senhor. Tú és bom, Jesus. te amo.
Deus se importa conosco, e isso basta; é suficiente para não precisarmos chorar a atenção de mais ninguém.
Deus abençoe.
até mais.