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Não seja Viral, apenas faça!

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A tecnologia, e mais especificamente a internet, trouxe muitos benefícios para nós, principalmente no que diz respeito a encurtar distâncias, acelerar processos e facilitar o acesso à informação. Isso é inegável.

Mas, por outro lado, em meio a tanta informação e velocidade, muitas vezes nos sentimos apenas mais um. Com tanto conteúdo sendo produzido, é muito difícil chamar a atenção. Sempre parece que alguém sabe fazer melhor do que nós. Comparamo-nos constantemente e, no fim, não fazemos nada.

Quantos fotógrafos, pintores, cantores, poetas, escritores, dançarinos e atores estão escondidos por aí? Tímidos, frustrados e infelizes por sentirem que poderiam estar fazendo o que amam, mas não estão. Talvez porque, quando fizeram e compartilharam suas criações, elas não viralizaram.

Mas existe uma cura para isso: não seja viral, apenas faça! Volte a ter prazer naquilo que você gosta de fazer. Lembre-se de que, antes da internet, as coisas não precisavam ser virais, gerar engajamento ou ser monetizadas. Oscar Wilde, escritor irlandês, sabiamente diz:

“Toda arte é perfeitamente inútil”

Monetizar não é o objetivo final de tudo. Algumas coisas simplesmente são belas, graciosas e contemplativas. Elas têm um valor que ultrapassa os números de seguidores e as cifras monetárias. Não são utilitárias; são apenas belas.

Pense nos grandes artistas do passado que não foram devidamente reconhecidos em vida, mas nunca deixaram de criar, pois amavam o que faziam e encontravam propósito e sentido naquilo que produziam. Hoje, somos abençoados por suas obras, como as de Van Gogh, Kafka, Emily Dickinson, Johann Sebastian Bach e tantos outros.

Lembre-se: o pôr do sol acontece quase todos os dias. Nem sempre paramos para prestar atenção, mas, em algum lugar, alguém parou para olhar, admirar e sentir gratidão. Assim também são os nossos talentos: nem sempre serão virais, ou talvez nunca sejam. Ainda assim, alguém poderá ser tocado pelo que fazemos.

Mais do que isso, nós mesmos precisamos ser tocados por nossas criações. Precisamos olhar para aquilo que fazemos, sentir prazer, desfrutar do processo e nos orgulhar do que produzimos. Precisamos ser curados desta era viral, assim como lemos no velho livro:

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). “E, havendo concluído a sua obra, descansou” (Gênesis 2:2-3).

Estou eu mesmo exercitando isso enquanto escrevo, na esperança de que ao menos uma pessoa seja inspirada a fazer o que ama e de que, nesse processo, eu também seja inspirado. Talvez seja isso que nos falte…

A arte nunca foi algo meramente comercial, mas, sim, uma necessidade intrínseca do ser humano. Fazemos arte porque precisamos dela, de alguma forma que talvez nunca possamos compreender por completo. Não podemos deixar que o sentido da arte se perca cada vez mais, com ela sendo cada vez mais terceirizada e automática.

O objetivo não é criar uma caça às bruxas e nos desfazer das tecnologias, mas entender os limites do seu uso: até onde ela é parceira da criatividade e onde começa a ser destruidora de artistas ou a nos tornar autodestrutivos.

Isso começa em nossas intenções: o que nos move a fazer arte? Se perdemos a essência dessa força motriz, então todo o resto estará perdido. Bertolt Brecht, dramaturgo alemão, diz:

“A arte não é um espelho para refletir a realidade, mas um martelo para moldá-la.”

Eu me atrevo a fazer um humilde acréscimo a esse pensamento:

“A arte não é APENAS um espelho para refletir a realidade, mas um martelo para moldá-la.”